rodada de notícias
vem que eu vou te resumir tudo o que aconteceu!
Fadiga de acesso: pessoas com deficiência estão exaustas de pedir o mínimo
Talvez você nunca tenha ouvido esse termo, então, deixa eu te apresentar:
‘Fadiga de Acesso’ é um conceito definido pela pesquisadora Annika Konrad em seu artigo ‘Access Fatigue: The Rhetorical Work of Disability in Everyday Life’ (o que poderia ser traduzido livremente como "Fadiga do Acesso: Trabalho Retórico da Deficiência no Cotidiano").
Em termos simples, é o cansaço fisico, emocional e social que nós temos ao lidar com o capacitismo. O esgotamento vem da diária falta de acessibilidade que não nos faz nos sentir pertencentes em nada. Em entrevista para Revista TPM, a psicóloga Camila Alves conta de forma pratica.
O esgotamento é real, tem nome e impacta diretamente as nossas vidas.
Leia a entrevista aqui e o artigo em inglês aqui.
Mais da metade dos brasileiros com deficiência encontram barreiras de acessibilidade na internet
Falando na falta de acessibilidade, os dados nos comprovam (infelizmente, mais uma vez) que nós ainda somos negligenciados.
A pesquisa realizada pela Hand Talk mostra que apenas 39% das PcDs sao incluídas no digital. Falta de sites acessíveis com aumento da fonte, contrastes, janela de Libras, atendimento no SAC para todos… São muito os ajustes que são deixados de lado. A mesma pesquisa revela que 49% das empresas dizer ter iniciativas de acessibilidade digital, 27% dos gestores enfrentam dificuldades de convencer outras áreas da importância dela e 28% apresentam a dificuldade cultural em manter essas iniciativas. Os dados nos mostram que a acessibilidade digital ainda é vista como algo opcional na internet. Chocante, né?
Leia mais aqui e veja a pesquisa na integra aqui.
Cartilha sobre como combater a violencia contra pessoas com deficiencia é divulgada
Viu acontecer um ato de violência contra uma PcD e não sabe o que fazer? A Secretaria Estadual dos Direitos das Pessoas com deficiência, junto do Instituto Jô Clemente, publica uma cartilha com os canais de denúncia e recomendações no que fazer nesses casos. Super importante.
Acesse a cartilha aqui.
Prima de Rei Charles III descobre autismo aos 30 e fala sobre
Essa notícia parece totalmente aleatória, ne? Mas deixa eu te contar a importância disso.
Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, o autismo é quatro vezes mais diagnosticado em homens. Isso acontece por inúmeros motivos, (vale a pesquisa, pois o assunto é complexo) mas o fato é que ainda existe uma barreira no diagnóstico em mulheres. Quando vemos pessoas influentes com uma voz na sociedade falando abertamente sobre, incentiva mais mulheres a irem atrás do conhecimento para uma melhor qualidade de vida, independente da idade.
Leia a entrevista dela aqui.
Brasil é campeão de Roland Garros em cadeira de rodas
Temos fãs de tênis aqui? Então, vem!
Vitoria Miranda conquistou o titulo do Grand Slam de Roland Garros em cadeira de rodas, individual e em duplas. A brasileira, que ainda tem 17 anos, trouxe o titulo para casa em sua última competição na categoria junior. Ela é a primeira no ranking mundial de tenistas na modalidade. Imagina na categoria adulta? Vai ficar triste para os concorrentes nas Paralimpíadas de LA, em 2028, hein?
Veja mais sore aqui e conheça Vitoria aqui.
caiu na rede é…
tudo o que gostamos de consumir sobre o universo PcD essa semana
Eu chorei MUITO nesse video (de verdade). Charisma e Cole são um dos melhores casais na internet (opinião pessoal desta que vos fala) e esse video me pegou muito. Nele, Charisma coloca a pergunta “quem cuida de você ?” e responde “ele”, mostrando que o fato de Cole ser cadeirante não impede que ele cuide dela. Nos não só somos cuidados, podemos cuidar!
Inclusão de verdade faz assim! A pediatra Debora Chalfun, também conhecida como mãe da Cecilia, postou essa adaptação que fizeram para a filha aprender a contar na escola. A adaptação conta com duas mãos em EVA com velcro nos dedos. Assim, Cecilia, que tem paralisia cerebral, consegue contar os dedos, mesmo que não sejam seus!
Adoro o trabalho do Dr Paulo Richard! Ele é um dentista referência em cuidados de pacientes com deficiência e nesse video ele nos mostra o atendimento de um paciente surdo-cego com libras tátil. Já manda para o seu dentista perguntando se chegasse um paciente surdo ele conseguiria o atender rssss
mão na consciência
deixa eu te fazer refletir em poucas linhas? é rapidinho, eu juro.
Estamos exaustas de pedir o mínimo.
Apesar do termo “fadiga de acesso” ser recente, o esgotamento não é novo. Para entender melhor esse sentimento, te peço para imaginar comigo um dia na minha vida. Sair de casa, para quem nao é PcD pode ser lazer. Para gente, pode virar um pesadelo. Antes de sair, preciso descobrir se o lugar é acessível. Ligo para o estabelecimento. “É acessível ?”. Ninguém sabe responder. Abro o satélite do Google Maps, rastreio o local nos mínimos detalhes até descobrir que eu consigo ir. Mas e para chegar lá? Transporte publico lotado, não tem Uber adaptado, taxi é extremamente caro. O local é acessivel, mas a rua não. Sobe degrau, quase caio, me levantam. Cheguei. As pessoas me encaram, olhares de pena, olhares de admiração, olhares de julgamento. Um beijo na testa, um “Deus te cure”, um sorriso forçado. Em lojas, prateleiras altas. Peço ajuda. O atendente me trata como criança. “Eu” viro “ela”. Pergunta onde está meu acompanhante. Sou eu quem estou falando, mas ele não fala comigo. Cansei. Deixo ele me tratar como quiser, me fecho. Eu só queria entrar e comprar, mas é impossível. “Tenha paciência, as pessoas estão aprendendo”. Mas é exaustivo. É todo dia. Eu preciso ser professora, ser palestrante, ter a generosidade de ensinar. Mas eu não quero. Não quero implorar pelo mínimo. Não quero ter que pedir. Quero ter o básico de respeito, quero ser tratada igual, quero poder ser eu mesma. Estou exausta. Estamos exaustas. Porque, no fim do dia, o cansaço de ter que lutar para ser eu mesma ainda vence. Ele sempre vence.
mais uma edição chega ao fim…
Obrigada por ter lido até aqui, você é minha leitora preferida! Te vejo semana que vem?
Gostou dessa edição? Me conta e ajuda meu trabalho se aprimorar cada vez mais:
Já sabe, né? Comenta o que achou, compartilha com quem não conhece o jornal e esbarre comigo nas redes!
afinal, o mundo acessível começa com informação.





Eu não sabia deste termo, estou impressionada, tanto da minha experiência como PCD fez mais sentido agora. Obrigada, obrigada, obrigada!
eu estou adorando acompanhar e aprender com o AcessaNews